Era uma vez uma linda princesa que esperava o amor bater à sua porta num belo cavalo branco. Seu príncipe é aquele homem tão perfeito quanto seu sexo: experiente, boa posição social, romântico sem limites, sem vícios, possuidor de espermatozoides viris e que a ela promete viver o famoso ” felizes para sempre ” correto?

Este era o sonho de muitas mulheres há algumas décadas.  Seu príncipe se resumia a experiência sarcástica da imposição de uma sociedade machista. Daí veio a revolução feminista e muitos hábitos mudaram com o passar dos anos.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um crescimento no número de mulheres casadas com homens mais novos. O aumento desse tipo de união formal tem sido constante desde 2002. De lá para cá, o percentual subiu de 20,7% para 24% (2013).

Tais dados mostram que não se trata de uma moda passageira. As mulheres com mais idade sempre namoraram homens mais jovens, só que em tempos passados muitas não tinham coragem de assumir em público seus planos de viverem um futuro com um parceiro mais novo. Nos Estados Unidos, uma a cada três norte-americanas solteiras e maior de 40 anos, sai com um homem mais jovem que ela.

Na mídia, os reflexos são notórios. Personagens de novelas, propagandas e  filmes, em que a mulher é mais madura que o homem, são cada vez mais comuns e sinônimos de sucesso, uma vez que o público os percebem de forma altamente positiva. Psicólogos apontam que a diferença de idade só é significativa quando os interesses do casal são tão distintos a ponto de gerar conflitos e dificultar os objetivos de ambos, mas para isso acontecer, independe do tempo de vida de cada um.

Tal tendência também tem relação com o fato das mulheres não buscarem mais o príncipe encantado para toda vida. Ao invés de princesas, elas agora querem ser rainhas, isentas da obrigação de procriar ou de vincular seu amparo material a um homem. À medida que assumem suas vontades sem justificar suas decisões em nome do outro, elas se tornam cada vez mais livres e isso pressupõe uma boa dose de autoconhecimento, autonomia emocional, sexual e não apenas financeira, o que, consequentemente, as tornam menos vulneráveis à manipulação da opinião alheia.

Mas, ainda que o número de casamentos entre mulheres mais maduras com homens mais novos tenha crescido, a situação contrária ainda é superior. Isso revela que, apesar das princesas terem virado “rainhas”, muitas continuam sendo “princesas”, só que hoje por opção e não mais por imposição.

Dicas e inspirações sobre o assunto

Livro
Eles São Simples, Elas São Complexas de Cláudya Toledo (Ed. Alaúde)
Sinopse: Hoje, o papel da mulher na sociedade é outro, muito diferente do passado. A revolução feminina redefiniu conceitos, valores e a própria sociedade. Os homens, por sua vez, ainda sentem dificuldades para lidar com essa “nova” mulher nesse cenário. Como ser mulher hoje – ativa, profissional, assumindo inúmeras funções – sem perder as características femininas? Como ser homem hoje – sensível, companheiro, colaborador – sem perder as características masculinas? Cláudya Toledo mostra, de forma profunda e bem-humorada, como se relacionar com o homem/mulher de hoje, de forma inteira, intensa e gratificante.

Filmes

Ensina-me a Viver – de Hal Ashby, Paramount Pictures (1971)
Sinopse: Harold (Bud Cort), rapaz de 20 anos com obsessão pela morte, que passa seu tempo indo a funerais e simulando suicídios, um dia conhece Maude (Ruth Gordon), uma senhora de 79 anos apaixonada pela vida. Eles passam muito tempo juntos e, durante esta intensa convivência, ela o apresenta a beleza da existência.

 

A professora de Piano – de Michael Haneke, MK2 Productions (2002)
Erika Kohut (Isabelle Huppert) trabalha como professora de piano no Conservatório de Viena. Ela não bebe nem fuma, vivendo na casa de sua mãe (Annie Girardot) aos 40 anos. Quando não está dando aulas Erika costuma frequentar cinemas pornôs e peep-shows, em busca de excitação. Logo ela inicia um relacionamento com Walter Klemmer (Benoît Magimel), um de seus alunos, com quem realiza vários jogos perversos.

 

Adorável Júlia de Istvan Szabo – Serendipity Point Films (2005)
Londres, 1938. Julia Lambert (Annette Bening) é uma veterana atriz de teatro, com ares de diva. Após ser enganada por seu jovem amante e traída pelo marido, ela dá a volta por cima usando os palcos para executar sua vingança.