Admiro as obras de vários filósofos, principalmente os que retratam a política. Sócrates, Cícero, Platão, Aristóteles, enfim, uma quantidade imensa de pensadores que ajudaram a construir um legado de transformações sociais e políticas. Destes, destaco neste momento, Aristóteles e Platão.

Aristóteles nasceu em Estagira, Macedônia, em 384 a. C. Pesquisador nato observou as diferentes formas de governo e seus sistemas, debruçou sobre temas diversos como; a formação do cidadão, a escravidão e dentre tantos outros, o papel das mulheres na sociedade.

Em sua obra intitulada, A Política, Aristóteles assegura que; “(…) a todos os animais é útil viver sob a dependência do homem. Nela, encontram eles a sua segurança. Os animais são machos e fêmeas. O macho é mais perfeito e governa; a fêmea o é menos, e obedece. A mesma lei se aplica naturalmente a todos”. E isto tem referência.

Durante vinte anos, Aristóteles foi discípulo de Platão, que certa vez mencionou que “Se a natureza não tivesse criado as mulheres e os escravos, teria dado ao tear, a propriedade de fiar sozinho”. Sem comentários.

Não me posiciono como defensora do feminismo, não sou sequaz do movimento. Falo de isonomia. O princípio geral do direito, segundo o qual todos são iguais perante a lei, não devendo, portanto, ser feita nenhuma distinção entre pessoas que se encontrem na mesma situação. Conquistamos espaços antes reservados apenas aos homens.

Aprendemos a arte da oratória e a proeminência das palavras meticulosamente preparadas, que revelam através da análise do conteúdo o objetivo daqueles que as ministram. Conseguimos “fazer política”. E somos maioria nas universidades (no campo científico, o saber é nosso!).

“Diga-me, quem te deu o direito soberano de oprimir o meu sexo?” Foi em defesa dos ideais revolucionários femininos no século XVIII, que a escritora Olympe de Gouges, lançou esta pergunta e instigou a sua morte. Condenada a guilhotina, a sentença foi ter querido ser um homem de Estado e ter esquecido as virtudes próprias a seu sexo. E no dia 03 de novembro de 1793, silenciaram sua voz, mas o seu grito ainda ecoa.

O conhecimento e a força não se restringem ao prepúcio ou ao clitóris. Não seja estagirita. (1). A opressão mutila as ideias, portanto, não oprima o meu sexo. Sou um ser pensante. Sou mulher.

(1)    Habitante de Estagira, cidade da Macedônia (pátria de Aristóteles).