Era uma fogueira grande, a mais linda das dezenas montadas na rua num dos dias mais esperados do ano: dia de São João.

Antes mesmo da brasa começar a aparecer lá no fundinho do fogaréu, estávamos todos lá, com o milho cru enfiado em um palito de churrasco curto, quase a queimar nossas mãos. As meninas com os foguinhos de estrelinhas e os meninos com as famosas bombas “peido de véia” engatilhadas para serem acesas e estouradas.

Sem contar nas mais deliciosas guloseimas derivadas desse cereal maravilhoso chamado milho, postas na mesa forrada com a toalha mais bonita de casa. É pamonha, canjica, mungunzá, pé-de-moleque, bolo de milho e pipoca a perder de vista…

Cada casa com seu forró, um mais animado que outro, outros, tocantes como as estrelas mais brilhantes do céu que iluminam a noite de São João quando a típica chuva deste dia não insiste cair. E o olhos marejados com a fumaceira das fogueiras, refletem a saudade de um tempo difícil de passar, mas fácil de permanecer aquecido na fogueira de nossos corações.