Segundo o professor e coordenador dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade Tiradentes, em Sergipe, Alan Barreto, e também autor do trabalho Comunicação Social e Resistência Cultural na Literatura de Cordel, as temáticas desse gênero, procuram esmiuçar desde o sentido histórico de sua palavra até o papel do cordel como instrumento de resistência cultural. “Essa é uma arte que atravessa gerações e está inserida nas várias vertentes da cultura, como no teatro, artes plásticas e música”, explica.

Fruto da Europa, quando trovadores na Idade Média divulgavam velhas histórias nas praças, em textos memorizados  e cantadas por cegos em troca de esmola, as chamadas Folhas Soltas (cordel) se consolidaram na Península Ibérica. Narrativas de heroísmo, guerra, amor, viagens e conquistas marítimas, além de fatos do cotidiano, eram os temas preferidos do público. Trazidas para o Brasil no século XVII, na bagagem dos colonos portugueses e espanhóis, as histórias eram decoradas por quem sabia ler, transmitida de forma oral e transformada pela memória do povo. Enraizado no Nordeste, o cordel se difundiu principalmente como expressão para expor os problemas sociais e tornou-se o veículo difusor de informações, principalmente para as classes menos favorecidas. Como um jornal, o cordel assumiu a função de informar as pessoas fatos da região, façanhas de cangaceiros, casos de rapto de moças, crimes, estragos da seca, efeitos das cheias, entre outras temáticas. Outro elemento forte do cordel é sua oralidade que antigamente eram executados pelos trovadores e hoje os cantadores, violeiros e recitadores se encarregam desta função.

A partir da década de 70, com a chegada da televisão na vida das pessoas o cordel tomou outro rumo. No entanto, a oralidade continua sendo seu maior trunfo. O professor Alan lembra que a influência contemporânea do cordel também se reflete em decorrência da Internet. “A rede é uma das grandes contribuidoras para a perpetuação da literatura do cordel. Hoje, existem vários blogs e fóruns de discussão, além, é claro, das famosas pelejas virtuais. No entanto, ainda é notável que seus maiores interessados sejam pessoas que de alguma forma tem ou em seus pais ou avós, a influência de uma época onde a busca pelo cordel era essencial para a formação do saber”, analisa.