Visualizar graficamente as diferentes facetas de um assunto na web. Assim pode ser definido o conceito de Reportagem 360°, uma inovadora forma de fazer jornalismo na internet. Este tipo de reportagem se utiliza de formatos digitais inovadores, cuja qualidade estética chama bastante a atenção e se encaixa perfeitamente ao conteúdo.
O trabalho surge como uma nova categoria do webjornalismo, que aproveita todas as ferramentas que existem na rede, como áudios, infografias, vídeos, fotos e vários outros, para formatação da matéria, cujo conteúdo é compreensível, independente da ordem de leitura e por isso a denominação 360º.
Um dos primeiros a consolidar este tipo de trabalho na web foi o jornalista colombiano Felipe Lloreda, diretor de Novos Meios, do jornal El País, da Colômbia. Ele e mais 10 profissionais das áreas de comunicação, web designer e engenharia da computação, inspirados em um web site mexicano, de estilo revista virtual, criaram em 2009 na página do jornal na web os especiais “Cali, la ciudad que no duerme”, “La hoja sagrada” e “Cali, una industria salsera”. A inovação chamou a atenção de internautas de todo o mundo pela qualidade dos recursos de vídeo, texto e a forma criativa da publicação e, assim, o sucesso foi garantido.
No mundo, outros veículos, como o ‘Clarín’, da Argentina; ‘HBO’, ‘Olé’, ‘Mediastorm’ e ‘New York Times’, também já trabalham com este tipo de reportagem.
Para o gerente de Conteúdo do Portal de Notícias das Organizações Globo Eptv/G1 e professor de pós-graduação e graduação da PUC-Campinas, Duílio Fabbri Júnior, a Reportagem 360° é um material pensado, criado especificamente para internet e sua linguagem se diferencia bastante de outras mídias. “É um material próprio, diferenciado, com linguagem específica e de qualidade jornalística reconhecida. É uma reportagem na qual graficamente consegue mostrar que o webjornalismo não é mais uma competição de quem dá o ‘furo’ de uma informação”, analisa.
Duílio ainda se aprofunda sobre o conceito. “O leitor abre uma tela introdutória em que visualiza diversos links que tratam dos diferentes aspectos culturais, sociológicos, humanos e históricos do tema proposto. Diversas digressões são feitas para apresentar o tema e explicá-lo ao leitor, que escolhe até que ponto quer saber, conhecer ou se interar do assunto. É por isso que na Reportagem 360° não existe um lugar certo por onde começar. O leitor é quem decide o que quer ler, ver ou ouvir. Não é como numa proposta de reportagem multimídia, cujo trecho, gravado em vídeo, dá origem a um texto, por exemplo. Na 360º, o internauta tem informações autônomas em relação ao restante da reportagem”, explica o especialista.
No Brasil, ainda que a ferramenta esteja mais focada no denominado jornalismo multimídia, veículos, empresas e entidades já entendem a importância de inserir a inovação em seus sites.
É o caso do Sindicato da Saúde de Campinas e Região (Sinsaúde). Em junho de 2012, a equipe de jornalismo da entidade lançou em seu Portal um especial sobre os salários da área da saúde, utilizando a Reportagem 360º.
Com o título Os Salários na Saúde – do voluntariado à profissionalização (www.sinsaude.org.br/
Para Duílio Fabbri Júnior, a iniciativa do Sinsaúde Campinas e Região em aderir a ferramenta para se comunicar com seu público na web foi bastante positiva, principalmente porque no Brasil, segundo ele, este trabalho é pioneiro.“Hoje, a referência mais fiel ao estilo 360° que encontro nacionalmente é o do Sinsaúde. Inclusive recomendei o link aos meus colegas da área, para que possa ser usado como referência em trabalhos e em sala de aula”, finaliza o professor.
Matéria escrita por Dani Almeida para a edição nº 21 da Revista Em Cena
