Pesquisa realizada no Reino Unido revela que a solidão é tão prejudicial quanto o tabagismo e o alcoolismo. O estudo constatou que pessoas com relações sociais fortes têm 50% mais chance de sobrevivência do que aquelas com relações enfraquecidas. A diminuição das famílias, o adiamento dos matrimônios e da maternidade são algumas razões para o isolamento social do homem pós-moderno. Em contrapartida sites de relacionamento estão em verdadeira ebulição. Seria essa demanda cibernética fator que mostra o medo de estar e permanecer só?

Esse temor é a chave de um bom negócio! Na chamada “aldeia global” somos todos uma família de… in-di-vi…DUAL! Essa dialética de estar só em plena multidão, resultado de uma era massificada, tem tirado o sono de muita gente (inclusive o meu) e gerado renda! ÉÉÉÉÉ… O que seria dos psicólogos sem os seus clientes nos consultórios, todos neuróticos temendo a si e ao mundo? E a publicidade? Como esses profissionais venderiam a necessidade de consumir um produto se não trouxesse nas propagandas a satisfação genuína da felicidade (felicidade de ESTAR com o outro, de SER COMO o outro)? COMPRE RENNER E ARRANJE UM NAMORADO! COMPRE BOB’S E SEJA JOVEM! ADQUIRA JÁ ESTE BATOM E SEJA (pareça) RICA!

“O homem é um ser social” falou alguém, que nem me lembro o nome. Mas não é que é verdade? Um sistema com uma idéia “genial” compacta as pessoas e transforma a necessidade básica humana em lucro. Alguém precisa GRITAR que estar junto virou mercado, e olha que já faz um bom tempo! Quer ver? Então me responda dizendo uma das profissões mais antigas do mundo. Pensou? R: prostituição! E não me refiro apenas ao ato de compra e venda de serviços sexuais, atividade que respeito, por sinal, sem hipocrisias. Mas o que incomoda são as ações veladas, caro leitor. Cada vez mais, essa prática ganha mercado e generaliza-se em diversas ramificações da sociedade: a prostituição das relações! Tudo isso acontece dissimuladamente… ou não! O carnaval acaba na quarta-feira de cinzas, mas o baile de máscaras continua durante o ano intero, somos nós, atores sociais entrando em ação. Nas igrejas, boates, hospitais, faculdade, a grande preocupação não é QUEM você é, mas O QUE você é e O QUE PODE PROPORCIONAR. São as relações líquidas… Cá entre nós, prefiro deixar escorrer por entre os dedos e desaguar no esgoto.

Seria bom ingerir um comprimido contra a superficialidade do bicho homem. Por vezes é preferível “estar só do que mal acompanhado”, diz a minha avó. Sabe de uma coisa? Acho que ela tem razão! Meu dia acaba com uma imagem projetada no quadro de sonhos, são dois personagens com as mãos entrelaçadas. Por um instante fecho os olhos a suspirar. A luz da televisão se esvai, mas o desejo do encontro (o verdadeiro encontro) fica.